NOVA HIPNOSE NA CADEIRA DO DENTISTA
- Charton Baggio Scheneider
- 23 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Usei a hipnose ericksoniana na minha prática por 20 anos. Frequentemente recebi pacientes que eram rotulados por colegas como “impossíveis de tratar”: vômitos, terror ou fobias, ansiedade aparentemente incontrolável, mandíbulas travadas; esses eram os sintomas mais frequentes.
Como estudioso da natureza humana e como profissional da saúde, há muitos anos comecei a refletir sobre como utilizar da melhor forma possível os recursos dos meus pacientes, buscar e pesquisar maneiras de usar tais recursos na prática terapêutica e, finalmente, compreender quais eram as formas mais eficazes de acessá-los.
Embora a hipnose seja uma das técnicas terapêuticas mais antigas da história da humanidade, seu reconhecimento científico é relativamente recente: Jean Martin Charcot, neurofisiologista da clínica Salpêtrière, onde Sigmund Freud foi aluno, “obteve o reconhecimento da terapia hipnótica pela Académie des Sciences, que nos cem anos anteriores havia negado ao magnetismo animal qualquer dignidade científica”¹.
“Isso porque a hipnose sempre foi considerada algo próximo da magia, do ocultismo, da superstição. No entanto, a hipnose diz respeito a processos mentais — e por que a ciência não deveria se interessar por tais mecanismos? As células cerebrais realmente controlam o corpo de diversas maneiras — do ponto de vista neurológico, fisiológico e psicológico. A hipnose tornou-se verdadeiramente uma disciplina médica oficial na segunda década do século passado, quando passou-se a dar atenção ao conceito de medicina psicossomática”².
Nesse novo enquadramento científico, é importante distinguir a Hipnose Tradicional da Hipnose Ericksoniana.
A Hipnose Tradicional é caracterizada por uma abordagem diretiva e autoritária. Os pacientes são passivamente submetidos às instruções do hipnotizador, e respostas ideomotoras evidentes são evocadas como prova de que a terapia está funcionando.
Na hipnose ericksoniana, as intervenções são aparentemente mínimas, e a atenção do terapeuta é voltada para perceber microsinais que indicam o estado atual dos pacientes e suas possíveis evoluções.
Milton H. Erickson, fundador da Nova Hipnose — ou Hipnose Moderna — percebeu, através de um longo trabalho pessoal, que ao se relacionar com o mundo interno dos “outros”, a cura acontecia de forma mais rápida e eficaz.
Alguns colegas podem se perguntar quais são as vantagens de conhecer essa técnica no contexto odontológico. Aprender hipnose ericksoniana é extremamente útil, antes de tudo, para gerenciar da melhor forma possível nossos próprios recursos como terapeutas, expostos diariamente às tensões e desconfortos dos nossos pacientes (além, claro, dos desafios da vida cotidiana).
Pretendo fornecer uma breve lista dos campos em que a técnica pode ser aplicada na nossa prática diária.
Bibliografia
1. Camillo Loriedo, Dal “sonno magico” alla Nuova Ipnosi, in IPNOSI E TERAPIE
IPNOTICHE, Ponte alle Grazie, Milano, 2006
2. Milton H. Erickson, GUARIRE CON L’IPNOSI, vol. I, Casa Editrice Astrolabio, Roma, 1984






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